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sábado, 13 de agosto de 2011


Ouvir Estrelas 

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Olavo Bilac

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011


A Voz do Amor

Nessa pupila rútila e molhada, 
Refúgio arcano e sacro da Ternura, 
A ampla noite do gozo e da loucura 
Se desenrola, quente e embalsamada. 

E quando a ansiosa vista desvairada 
Embebo às vezes nessa noite escura, 
Dela rompe uma voz, que, entrecortada 
De soluços e cânticos, murmura... 

É a voz do Amor, que, em teu olhar falando, 
Num concerto de súplicas e gritos 
Conta a história de todos os amores; 

E vêm por ela, rindo e blasfemando, 
Almas serenas, corações aflitos, 
Tempestades de lágrimas e flores... 

Olavo Bilac